quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Maria do Céu, uma curraisnovense de caráter.

Maria do Céu não viu aparecer

nenhum herói na insurreição


 

Luiz Gonzaga Cortez *


 

No dia 21 de abril de 1987, Maria do Céu Pereira Fernandes, que foi a primeira deputada estadual do Rio Grande do Norte, irmã do falecido ex-governador José Cortez Pereira de Araújo (filha de Olindina Pegado Cortez, irmã da minha avó paterna), prima legítima do meu pai, Manoel Genésio Cortez Gomes, me concedeu uma entrevista na residência do seu filho Paulo de Tarso, em Natal, publicada no extinto semanário Dois Pontos. Eis o teor da entrevista:

Como a sociedade recebeu o lançamento da sua candidatura pelo Partido Popular?

MC – Naquele tempo, eu fazia o que queria. Lia livros proibidos, inclusive sobre comunismo e Freud. Sobre comunismo, por exemplo, eu li muito, mas não aceitei a ideologia. Mas sobre a receptividade da minha candidatura posso dizer que os remanescentes do tradicionalismo não aceitaram. Houve um certo impacto no começo, mas depois a Igreja aceitou. Não houve choque nenhum, todos aceitaram.

E o seu pai, político tradicional e conhecido coronel da política de Currais Novos, como viu a sua candidatura?

MC – Eu tinha 24 anos naquela época. Sou de novembro de 1910. Papai não queria que eu fosse candidata, mas não tomei conhecimento porque o que eu fazia era o que achava certo. Veja bem, em 1934, eu tinha amigos e amigas, o que não era comum naquele tempo. Com amigos, eu passeava e viajava. Você já pensou uma mulher de 24 anos passear na cidade com amigos? Passeava com Mário Porto, Eider Trindade e outros grandes amigos. Fui eleita com o apoio do meu pai, Vivaldo Pereira, e do meu noivo, Aristófanes Fernandes.

Logo após a eleição dos deputados para a Assembléia Constituinte Estadual ocorreu a revolta dos cabos e soldados do 21º Batalhão de Caçadores do Exército, em Natal. Como a sra. viu a revolta?

MC – Até gostei de ter havido a revolução comunista. Eu gostei que os comunistas tivessem se rebelado. Gostei porque eles eram idealistas, mas não porque quisesse participar, não. O Brasil estava se tornando horrível. Lendo o livro "Olga", de Fernando Morais, a gente fica sabendo como os comunistas eram idealistas, mas não tinham meios, coitados, de dominar o Brasil. Como eles iriam vencer num país-continente como o nosso? Como iriam arregimentar gente e recursos para que pudesse haver um congraçamento de norte a sul? Se eles tivessem se levantado de norte a sul, teriam conseguido a vitória. E foi bom assim porque o povo brasileiro não está preparado para o comunismo. Ainda hoje o Brasil não comporta o regime comunista, mesmo com toda a miséria e ignorância.

A sra. tem alguma admiração pelo comunismo?

MC – Há muita coisa que não aceitamos no comunismo da União Soviética e de Cuba. Eu tenho uma admiração e entusiasmo por Fidel Castro. Cuba não é o regime ideal, mas só o fato de Fidel tirar o povo da situação anterior já é grande coisa.

A sra. era de direita?

MC – É, eu era de direita total. Hoje sou de esquerda. Meu pai era um homem de direita, de muita autoridade, mas eu não baixava a cabeça pra ele; ele me ouvia e não discutia comigo, mas era um tipo de patriarca. Embora como pai tivesse ternura pelos filhos, mantinha uma certa distância de nós. (Em 1924, perdi a minha mãe e passei a confiar mais no meu pai).

Que lições tirou desse período?

MC – Casada, procurando aproveitar uma outra situação, escondendo o real, aprendi a "engolir" alguns fatos, a aparentar outra coisa, aquilo que não estava mais vivendo. Quase fico maluca (risos). Não tenho porque alimentar minhocas, cheguei aos 76 anos de idade e não há mais o que mudar. Boto tudo pra fora o que sinto. E vou continuar assim, embora ache que esteja perto de terminar.

Que conselhos a sra. daria às mulheres de hoje?

MC – A mulher deve ser rebelde até certo ponto. Quando ela está convicta que seus objetivos estão certos, deve lutar até o fim. Apesar de sempre ter sido uma mulher rebelde, eu vivi muito bem com o meu marido.

E a política daquele tempo?

MC – Naquele tempo se pensava em fazer alguma coisa pelo povo, mas isso já era utópico. Quando se entra no governo, a gente pensa muito pelos pobres. Por isso, aconselho Geraldo Melo, em que não votei porque não me recadastrei, que olhe mais para quem não tem e olhe menos para quem tem muito. Hoje só se faz política com muito dinheiro, só se elege quem tem dinheiro. Naquele tempo, os coronéis mandavam na política, mandavam votar em quem eles queriam, mas não se comprava votos. As campanhas eram bonitas. Fazíamos campanhas e comícios em cima de caminhões. E assim a gente falava para o povo e pedia votos.

A história registra que a campanha política de 1934 foi muito agitada. Há o famoso episódio do tiroteio de Parelhas que redundou numa morte.

MC – Eu não fui a Parelhas, fiquei em Acari. Por isso, não posso falar sobre esse tiroteio.

E o governo Mário Câmara, antecessor de Rafael Fernandes, cuja administração a sra. apoiou como membro da bancada do Partido Popular?

MC – Se foi um período de violências, eu não sei. Acho que houve alguma violência, mas há muitas controvérsias sobre isso, não é? Houve o caso do assassinato do filho de Juvenal Lamartine, Otávio, mas um grande amigo meu constituinte daquele tempo, rebate essa acusação de que Mário Câmara foi o responsável. Fomos obrigados a ir para a Paraíba, por causa da tensão reinante em Natal. Na Paraíba, o governador Argemiro Figueiredo, recebeu e hospedou os 14 deputados do Partido Popular. Forças federais garantiram o regresso a Natal, que encontramos deserta. Aqui, os 14 deputados ficaram hospedados na casa de Alberto Roselli, amigo nosso. A casa ficava no Grande Ponto e, no dia seguinte, muita gente querendo nos ver. Ficamos na casa de Alberto Roselli até o dia da votação indireta na Assembléia Legislativa, que funcionava na rua Junqueira Ayres, onde hoje está a Ordem dos Advogados. A eleição dos deputados foi muito agitada, mas a eleição de Rafael Fernandes foi pacífica. Os catorze deputados ficaram unidos e coesos e elegemos Rafael Fernandes por um voto de maioria. Foi uma vitória sofrida e bonita. Depois da votação, saímos do prédio da Assembléia para buscar Rafael Fernandes. No meio desse povo, eu era a única mulher.

A sra. recebeu ameaça de morte?

MC – Bom, na época da campanha houve algumas ameaças. Por três vezes, entraram na minha residência para me seqüestrar. Uma vez senti que um homem estava no banheiro da minha casa e gritei. As pessoas que estavam em minha casa viram o homem pulando o muro e desaparecer, na rua 13 de Maio (hoje Princesa Isabel). Em seguida, forças federais vigiaram a minha casa até 1935.

Acredita que as demissões de guardas civis, nomeados por Mário Câmara, precipitaram a insurreição do 21º BC?

MC – A insurreição de 35 não foi eminentemente comunista. A coisa já vinha lá do sul, mas aqui anteciparam um pouco, pois não era para estourar no dia 23 de novembro. Essa antecipação favoreceu o governo de Getúlio Vargas, pois se eles estivessem articulados de norte a sul, acredito que não teria fracassado. Mas voltando ao caso das demissões dos guardas civis, creio que eles favoreceram a rebelião. Na época, eu disse ao monsenhor Mata (presidente da Assembléia Legislativa e membro do PP): "Sou uma pessoa disciplinada, mas não aceito certas coisas. Eu não sou uma ovelha que segue um só rebanho para deixar de lado a minha discordância com as demissões. Quanto a antecipação da revolta por causa das demissões feitas pelo governador Rafael Fernandes, não posso garantir, mas pode ter influenciado. Foram mais de 300 pais de famílias demitidos em poucos dias.

Chegou a ver atos de heroísmo durante a revolta?

MC – Não. Quando estourou a revolução eu estava no Teatro Carlos Gomes. Fui obrigada, muitas vezes, a me arrastar e me esgueirar no meio do mato. Chegamos na casa de José Mesquita, na avenida Deodoro, onde hoje fica o edifício Chácara 402. Passamos o resto da noite lá e, de manhã cedo, caminhamos para a praia do Meio. Durante o governo revolucionário não sofremos nada, não sei porque. Sabíamos que um dos líderes da revolução era José Macedo, natural de Santana do Matos e, parece, que ele mandou que a nossa família fosse respeitada. Dos quatro dias que passamos na praia só me lembro que faltaram alguns alimentos em Natal. Soube que alguns seguidores de José Augusto, do Partido Popular, em Macaíba, participaram da insurreição, mas não sei porque. Por ouvir dizer, em Macaíba, sei da participação de Alfredo Mesquita na insurreição. A insurreição comunista foi uma surpresa para muita gente. Eu lia muito e sabia que alguma coisa iria acontecer, mas que não rebentaria na noite do dia 23 de novembro de 1935. Quanto a heróis, desconheço que tenha aparecido algum em Natal, durante a revolução comunista.


 


 

*Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Navio encalhado é atração em Búzios/RN.

Um navio pesqueiro, de bandeira Nigeriana, está encalhado na praia de Búzios/RN, a 30 quilometros de Natal, há de um ano e tornou-se local de pesca amadora, nas marés altas. Muitos turistas nordestinos estão conhecendo a praia que tem bons restaurantes e locais de hospedagens. Os interessados podem se informar com Gonzaga (foto), através do fone (84) 9914.3141. Os veranistas estão se articulando para a realização de serestas nas noites de lua cheia de dezembro/janeiro/fevereiro/março de 2011.Posted by Picasa

Soletra, de Ana Maria.

SOLETRA

Solícita
Solidão
Soldar
Soldado
Só
Sol
Solar
No ar do sol

GIRA SOL
GIRA SÓ

Na lareira
No lar
No letreiro
Luminoso

SÓ LETRA

Solidária
Solitária
Só lidar
Só lido
Sol dado

GIRASSOL
GIRASSÓIS

Na ladeira
Sem eira
Beirando o sol
Brandamente
Eternamente
Solenemente.

Monumento ao Trabalhador
                                     (Palácio da Alvorada)

Em Brasília, eu piso
Na arquitetura
Da amargura
Com ternura.

Entro na Catedral
Espio os dédalos
no piso dos mal-tratados.
Nesse espaço ecoam-se
Como num badalar de sinos
As súplicas, as preces
Do meu funeral.


Passeio no meio
dos corpos pisados
esmagados nos arcos
arcados por gentes
indigentes
entrados na terra
desvirginada.

Ali se enterraram
sem um lamento
por falta de tempo
ficaram esquecidos
entre muros erguidos.

Em Brasília , eu piso
nos sonhos realizados
debaixo dos meus pés.

Em Brasília, estou também morto
e ficarei por séculos, decerto.
Pensa em mim
quando pisares no meu corpo.

Eu que pensava no futuro
mas é para ti que deixo
Brasília e  minha terra abandonada.

Estou emabixo da mata cortada
meu cemitério, última morada.
Pisa de mansinho
pois eu também amei
e para ti construí
uma nova alvorada.


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Soletra e Monumento ao Trabalhador são dois poemas das págs. 32 e 51 do livro "A poesia é uma história para contar - 54 poemas", de Ana Maria Cortez Gomes, editado "Quarteto Editora" e apoio da União Brasileira de Escritores-UBE/PE, que foi lançado em Salvador, Recife e Natal, em março de 2010, a.Exemplares do livro podem ser solicitados via imeio: quarteto.livros@compos.com.br ou pelo telefone (71) 3452-0220 (fax) 3353-5364.
Ama Maria Cortez nasceu em Natal, onde fez os estudos secundários, diplomou-se em Letras pela Universidade Católica de Recife e fez os estudos  de Pós-Graduação na França - Licence ès Lettres (Besançon), Certificat niveau Maitrise (Université Paris IV), Mestrado (Université Paris VIII) e Doutorado( iniciou na Université Paris V, com André Martinet, e concluiu na Université Paris VIII- , país no qual passou a exercer a sua vida profissional (trecho da orelha do livro assinada por Suzana Alice Marcelino Cardoso, professora emérita da Universidade Federal da Bahia).

Poemas de Ana Maria Cortez.

Aos meus pais
Genésio e Natividade.

Aqui jazem as minhas folhas de papel
De tão branquinhas
Ficaram amarelecidas
Jazidas com pedras cor de mel
Fontes de minas de amarguras
Transformadas em ternuras
Mil vezes manuseadas
Lapidadas
Todas elas jazem com flores
com sabores

com as suas cores
- o azul do céu.




ZILA MAMEDE

Da flor da terra
Na doçura das rosas
Na sombra das árvores
Nas ondas das águas
meu dia  se encerra.

Depressa me fui
Dos laços da vida
|Do regaço das dores
Dos passos da rua
Dos sons das cigarras.

Das vezes do dia
Do quotidiano do mês
Dos repentes do ano
Me separei.

Na poesia\
Abstraí-me.

Transcrições das páginas 12 e 24 do livro "A poesia é uma história para contar  - 54 poemas", de Ana Maria Cortez, uma das filhas poetisa de Nati Cortez (1914-1988), residente em Paris-França, desde 1966.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Grupo de cientistas e dirigentes da Fundação de Apoio à Pesquisa do RN, em setembro de 2009, após a palestra do engenheiro Carlos Alberto Paz de Araújo, no auditório do antigo CEFET de Natal, hoje IFTRN (Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Rio Grande do Norte. Carlos Paz é natalense, PHD em física e um dos inventores dos cartões magnéticos e dos responsáveis pelo desenvolvimento de sistemas ferroelétricos. È professor da Universidade do Colorado-EUA. A Simetrix, empresa da qual é sócio Carlos Paz, também diversas pesquisas a nível mundial, inclusive no desenvolvimento de novos combustíveis de origem vegetal, nos Estados Unidos e Austrália. Da esquerda para a direita, o professor Lacerda Felipe, o físico Liacir dos Santos Lucena, a professora Isaura A. Rosado Maia, Carlos Paz, o físico e astrofísico Renan de Medeiros e representantes do IFTRN e Governo do Estado. Foto de Luiz Gonzaga Cortez.
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Os potiguares Rinaldo Montenegro Pegado e Abdenego Fernandes visitaram o condomínio "Àguas da Serra", em meados de 2009, conhecendo algumas residências construídas e/ou em construção. O condomínio está situado na antiga Fazenda Bebedouro, zona rural de Bananeiras/PB, com clima frio entre maio e setembro. Foto de Luiz Gonzaga Cortez.
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