domingo, 16 de setembro de 2012

Felipe Tiago Gomes.


Um porteiro, paraibano de Picuí, fundou a CNEC
Em Recife e foi tachado de comunista.
Luiz Gonzaga Cortez.

 
O fundador, o Pai, o inventor da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade-CNEC, denominação atual, foi o paraibano de Picuí, Felipe Tiago Gomes e tudo começou na capital pernambucana, Recife, onde ele era o porteiro da Casa do Estudante de Pernambuco. Felipe Tiago Gomes se inspirou na experiência do peruano Haya de La Torre, após ler o livro "Drama da América Latina", de John Gunther. A Campanha do Ginasiano Pobre foi lançada no dia 30 de agosto de 1943, através de um boletim impresso pelo grupo de 5 estudantes pobres: Felipe Tiago Gomes, Carlos Luis de Andrade, Florisval Silvestre Neto, Joel Pontes e Eurico José Cadengue. Foram esses rapazes que participaram da primeira reunião realizada no Ginásio Pernambucano, hoje Colégio Estadual de Pernambuco. A idéia contou com a adesão de Genivaldo Wanderley e José Irineu, impulsionando o movimento em plena Segunda Guerra, o que teria possibilitado o surgimento da desconfiança das autoridades civis e militares diante dos boatos de que era "coisa de comunistas". Ajudar os pobres era coisa de comunista. O que queria Felipe Tiago Gomes era ajudar os ginasianos pobres, desamparados e desempregados quando terminavam o primeiro grau, servindo de massa de manobra dos politiqueiros e dos coronéis dos sertões nordestinos, além "de acender novas luzes nas inteligências de dezenas de rapazes pobres, que apenas têm o curso primário e não podem, por motivo financeiro, continuar seus estudos".
Os jovens causaram tremendo "rebu" em Recife durante os festejos da Semana da Pátria, quando lançaram um manifesto no dia 7 de setembro de 1943, conclamando os estudantes a se irmanarem na campanha "Um ginásio para o pobre!". O panfleto foi redigido por Alcides Rodrigues de Sena, colega de Felipe, e pedia ajuda da mocidade para formar fileira na campanha, do estudante rico para estirar "em auxílio do jovem anônimo e inteligente que também deseja, quer estudar".
A Campanha se expandiu e em 21 de março de 1944 o grupo, que ainda divulgava seus objetivos e já tinha dialogado com os oficiais do Exército e da Marinha e líderes católicos de Pernambuco, Ceará e Pará, mandou uma carta para o escritor Luís da Câmara Cascudo, convidando-o para proferir palestra em Recife durante a Semana de Cultura Nacional. Cascudo não aceitou o convite por causa dos compromissos assumidos.
Outro fato que chamou a atenção das autoridades de Pernambuco foi a campanha "De pé também se aprende", com mais de 100 alunos. O fato é que eles não conseguiram cadeiras e carteiras para os alunos e lançaram panfletos dirigidos aos usineiros, industriais, comerciantes e agricultores, a fim de obterem recursos para aquisição de carteiras e tamboretes para os ginasianos pobres. O general Isauro Regueira, Comandante da Sétima Região Militar, na entrada do Teatro Santa Isabel, ao receber um panfleto, parou para lê-lo e, em seguida, procurou o grupo de estudantes para conhecer a Campanha do Ginasiano Pobre, denominação primitiva da hoje CNEC, que já foi CNEG, Campanha Nacional de Educandários Gratuitos.
A "História da CNEC" ( Brasília, 1980) está contada por Felipe Tiago Gomes, responsável pela vinda da Campanha ao Rio Grande do Norte, em 1948, onde ele e sua comitiva foram recebidos pelo governador José Varela e secretários, colocando o jornal do Governo, A República (vide edição de 2 de outubro de 1948) à disposição do movimento. A primeira diretoria da CNEC não tem nenhum nome do RN, mas em 1949, quando Felipe Tiago Gomes já residia no Rio de Janeiro, nosso Estado já tinha um delegado da instituição, o sr Luís C. Soares. Em 1950, houve um congresso da CNEC que elegeu a seguinte diretoria: Presidente Felipe T. Gomes; Antunes de Oliveira, segundo vice-presidente; Péricles de Souza Dantas, segundo vice; Dulce Oliveira Vermelho, secretário-geral; Bráulio Cortês Xavier Bastos, primeiro secretário; Norma Fonseca Paixão, segundo secretário; João Antonio Monteiro, tesoureiro. No seu livro, Felipe T. Gomes registra os nomes de todas as autoridades civis e militares, dirigentes do MEC, parlamentares, que ajudaram a CNEC, entre 1943 e 1980, inclusive o ex-Presidente Café Filho, potiguar, Presidente de Honra da campanha, os falecidos cardeais Dom Avelar Brandão Villela e Helder Câmara. Nas 156 páginas do seu livro, Felipe Tiago Gomes, que não historia a CNEC potiguar, não registra nenhum nome de sacerdote católico do RN que tenha implantado a Campanha no RN. O que eu sei, por ouvir dizer, é que a CNEC entrou em decadência quando passou a ser cobiçada pelos políticos de "olhos grandes" nos seus caixas. Aí, meu caro, "a vaca foi brejo", a partir da década de oitenta. Mas isso é outra história... Vige Maria!
Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador
Fonte: História da CNEC , Brasília, 1983.
Em tempo: Em 16.09.2012, os rumores dão conta que do antigo CNEC, só restam os "ossos".

Foto extraída do acervo da família. Fonte: Google.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Até debaixo d!água.

A Feira de Produtos Orgânicos funciona aos sábados, das 6 às 10 horas, no campus da UFRN, na Potilândia, em Natal, cujos artesãos,produtores e vendedores coloocam à disposição do público gêneros alimentícios de qualidade e sem agrotóxicos. Tem medicamentos caseiros para vários tipos de enfermidades. Vende-se, inclusive, xaropadas afrodisíacas feitas pelo mestre Laércio Severiano da Silva, 78. Ele pretende vender suas xaropadas pela internet. Brevemente, ele anunciará o sistema de vendas e o imeio que os interessados façam suas aquisições. Quem quiser, pode tomar uma cafézinho quente, comer cuscuz com frango e manguzá, por um real ou cinqüenta centavos. Vá lá conferir.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Franklin Jorge publicará depoimento de Didi Câmara.

O jornalista Franklin Jorge encontrou um longo depoimento prestado pela atriz e dramaturga Didi Câmara Cardoso, natalense, que se destacou no antrigo Distrito Federal, onde residiu a partir dos anos 40, após se casar com o ator Fernando Cardoso. Franklin informou que vai inserir o depoimento no 3º volume de Spleen de Natal, que entrará em processo de edição nos próximos meses. O depoimento é um importante achado para traçar um perfil intelectual e humano da poetisa Didi Câmara, que até poucos anos era considerada um poetisa desconhecida das novas gerações, segundo crônicas de Woden Madruga. Didi Cãmara era amiga da minha sogra, Maria Natividade, a pioneira na literatura infanto-juvenil potiguar e que será homenageada pela seção estadual da União Brasileira de Escritores, nos próximos meses, segundo informou o escritor Eduardo Gosson.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

UBE/RN aprova Coleção Nati Cortez.

UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES DO RN - UBE/RN
Comunicado de reunião nº 03/2012

Através do presente Comunicado ficam todos os membros da Diretoria, do Conselho Fiscal e do Conselho Consultivo da UBE/RN avisados do adiamento, por motivo extraordinário (morte de um filho), da Reunião Ordinária que estava agendada para o dia 06 corrente e que fica remarcada para a próxima quinta-feira, dia 14, com a seguinte


Ordem do Dia:


1. Leitura da Ata de posse da Diretoria (biênio 2012/2013)
2. Aprovação de novos sócios
3. Resolução 02/2012: Coleção Nati Cortez (Literatura Infanto-Juvenil)
4. Programação de um ano de Encantamento de Bartolomeu Correia de Melo
5. Outros assuntos correlatos.


Data: 14.06.2012 (Quinta-feira)
Local: Academia Norte-Rio-Grandense de Letras
Hora: 16 h


Natal/RN, 04 de Junho de 2012


Eduardo Gosson
Presidente

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Na noite de ontem, o escritor Eduardo Gosson comunicou a Resolução da UBE potiguar, criando A Coleção Nati Cortez (Literatura Infanto-Juvenil).

domingo, 1 de abril de 2012

Chico Anisio, chorinho e discos voadores.

Aproveitando o gancho da coluna do professor Woden, republico a edição de hoje para lembrar aos seus milhares de leitores que o grande Chico Anísio, em entrevista concedida a Roberto D'Ávila, reprisada após o seu falecimento, revelou o seu lado espiritualista e de ufólogo. Contou que viu um disco voador em Natal, quando estava hospedado no Hotel Reis Magos, cuja data não foi revelada, mas que chamou várias pessoas para testemunhar a aparição, em alto mar, à noite. Gutemberg Costa, pesquisador de folclore e que está preparando uma antologia de mulheres cordelistas do RN, me disse que prepara um verbete sobre Nati Cortez, como a primeira mulher que pesquisou discos voadores no Rio Grande do Norte e que escreveu cordel. Luiz G. Cortez, jornalista.

JORNAL DE WM

por Woden Madruga

Esta coluna é atualizada diariamente

Gente da gente

01 de Abril de 2012
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Tiro da gaveta o Jornalzinho do Sebo Vermelho (invenção de Abimael e Carlão) de novembro de 1955. Número 30, ano VI. Na capa, Ademilde Fonseca: “Ademilde Fonseca: Rainha do Chorinho”. O Sebo Vermelho não explica porquê Ademilde Fonseca. O bom do Jornalzinho, no tempo que ele circulava, é que não explicava o porquê. Era como se fosse um mural. Ia colocando as coisas. Por exemplo, entre alguns anúncios que, certamente financiavam o papel, tinha um da deputada Fátima Bezerra e ao seu lado, outro do “Viver Bar e Restaurante”. Noutro canto, “Carne e Queijo de Caicó”. E por falar em Caicó, na coluna “Boatos”, assinada por Macaco Tião, tem esta nota: “Moacy Cirne esteve em Natal, visitou o novo endereço do Sebo Vermelho e reencontrou velhos amigos, tipo Falves Silva, Anchieta Fernandes, Jarbas Martins, e com eles curtiu merecidas férias em uma Natal quase moderna e contemporânea”. É a melhor definição de Natal nestes últimos 100  anos.


E Ademilde Fonseca? Nas duas páginas centrais está o assunto da capa, repetindo a manchete “Ademilde Fonseca: Rainha do Chorinho. São vários textos. Numa página inteira, o Jornalzinho transcreveu todo o encarte do disco “Ademilde Fonseca & Seus Chorões Maravilhsos”. Conta a trajetória artística da grande cantora, que morreu esta semana no Rio de Janeiro, aos 91 anos. Começa assim:



 - O choro é um gênero genuinamente carioca, mas a “Rainha do chorinho” veio do Rio Grande do Norte para arrebatar um título e um cetro que nunca mais lhe saiu das mãos. Ademilde Fonseca é de Pirituba, cidade plantada no Município de Macaíba. Lá nasceu no dia 4 de março de 1921. Mas só vinte anos depois é que viria para o Rio de Janeiro, e vale a pena contar (bastante por alto) o que se passou nesse período. Com três  anos de idade já cantava (“e com desembaraço” – afirma hoje) um choro seresteiro cujo nome não guarda. No Grupo Escolar “Antônio de Souza” – onde acalentava seus sonhos de vir a ser professora – ela aprenderia, com seu companheiro de brinquedos Geraldo Gomes, a letra do “Tico tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, que a mãe de Geraldo Gomes, tentava ensinar ao garoto.”



Mais adiante:



- Em 1942 vamos encontrá-la fazendo um teste na Rádio Clube do Brasil, onde obviamente foi aprovada. Começa uma vida semiprofissional, cantando (mas sem receber nada) com o conjunto regional de Benedito Lacerda. Com o grande flautista, comparece um dia a uma festa grã-fina e pede a Lacerda para acompanha-la no “Tico tico no fubá” – o que causa surpresa ao próprio instrumentista: “Isso não tem  letra, menina!” E no dia seguinte, lá está Ademilde diante de João de Barro, o célebre Braguinha – que logo autorizou a gravação de um 78’’ (Disco Columbia n. 55.368, 10-07-42). A partir daí, conhece o sabor da fama: assina com a Tupi (das Emissoras Associadas) em 1944, apresentando-se com os regionais de Claudionor Cruz e Rogério Guimarães. 



Uma fonte excelente para quem desejar pesquisar Ademilde Fonseca é “O Dicionário da Música do Rio Grande do Norte”, de Leide Câmara, que também criou e dirige o “Acervo da Música Potiguar”, um arquivo fabuloso, como poucas instituições no gênero. O verbete se estende por três páginas e meia batidas.



Chico e Hianto



Mário Sérgio de Sá Leitão, o maior pesquisador litero-musical da Reta Tabajara, me disse, uma manhã dessas, na calçada do Cova da Onça, que a imprensa de Natal, ao registrar a morte do humorista Chico Anísio, passou batida quando se esqueceu de lembrar sua parceria musical com um dos mais importantes compositores do Rio Grande do Norte, o Hianto de Almeida. Também, um dos percussores da Bossa Nova ( algumas de suas composições tiveram arranjos de Tom Jobim, e em 1952, no início de sua carreira, João Gilberto, gravou um samba-canção de Hianto, chamado “Meia Luz”).



Me assegurou Mário Sérgio que Chico Anísio foi parceiro de Hianto de Almeida em mais de vinte composições, todas gravadas e a maioria delas interpretadas por cantores e cantoras famosos como Orlando Silva, Pery Ribeiro, Dircinha Batista, Maysa, Trio Irakitan, Trio Marayá, por aí. Mario vai debulhando, de cor, sem parar, não sei quantas músicas. Aqui e acolá, solfejando, uma, duas, três. Ele, então, desconfiou que eu não estava acreditando no papo. E disse: Se você não acredita, quando chegar em casa  consulte o Dicionário de Leide Câmara.



Não duvidei do meu amigo Mário Sérgio, filho de um grande amigo, o sempre saudoso José Waldenício de Sá Leitão, também amante de uma boa música e de uma santa boemia, ao lado de parceiros famosos, como um Silvio Caldas, por exemplo, quando o grande seresteiro vinha por estas bandas. Mas quando cheguei em casa fui direto ao dicionário de Leide. Tem seis páginas sobre Hianto de Almeida. Tudo, incluindo a discografia do compositor existente no Acervo. Destaco uma das passagens do verbete:



- O humorista Chico Anísio, parceiro de Hianto de Almeida em cerca de 24 composições, ao ser entrevistado pela revista Playboy (n. 148, edição de novembro de 1987, p. 65), respondeu ao repórter que lhe perguntou se tinha alguma música composta em parceria com Tom Jobim: “Tenho a grande honra de dizer que o primeiro arranjo do Tom foi em cima de uma música com letra minha, ‘Conversa de sofá’”. E continuou Chico Anísio: “ Acho que foi aí que ele aprendeu a compor, porque descobriu que a música de Hianto de Almeida, tinha uma sequência e foi em cima”.



Socorro Trindad



Nesse número do Jornalzinho do Sebo Vermelho, anotado lá em cima, tem um texto de Anchieta Fernandes comentando o livro da escritora Socorro Trindad, O Dia Público e Outros Dias. Começa assim: “Socorro Trindad é uma das boas escritoras norte-rio-grandenses de nosso tempo. Embora diversificando-se através de mais de um gênero é no conto que o seu talento brilha mais (...)”



Quinta-feira, vaquejando publicações sobre Millôr Fernandes encontrei  numa das minhas gavetas um número do “Pasquim”. Era de 30 de janeiro de 1985, que traz um artigo de Millôr, publicado em 1973, Réquiem. Era como o prenúncio da morte do semanário sufocado pela censura da ditadura. Que não aconteceu. O Pasquim resistiria até novembro de 1991,



Acontece que neste número do Pasquim, tem um anúncio do lançamento de um livro de Socorro Trindad, Eu não tenho palavras, no Rio de Janeiro. O anúncio é da Codecri, que editava o Pasquim e que publicou muitos livros durante a sua existência, inclusive de Henfil. Diz lá: “Você está convidado para o lançamento de “Eu não tenho palavras...”, dia 28.01.85. Palestra com Affonso Romano de Sant’Anna, Jorge Sá, Moacy Cirne e Socorro Trindad. Show musical com Terezinha de Jesus, Babal e outros. A partir das 20 horas na ABI”.



Por onde anda Socorro Trindad?

sexta-feira, 9 de março de 2012

Os cacimbões do tempo da guerra.







Os cacimbões poderiam ser transformados em pontos turísticos? Não, devido ao avanço do mar e eles vão sumir, cedo do tarde. Se o mar retroceder, aí é outra história. No entanto, até hoje, nenhum órgão público se interessou em mostrar os cacimbões de Búzios/Tabatinga para os estudantes e turistas que nos visitam. Luiz Gonzaga Cortez. Observção: a foto foi feita no domingo de carnaval de 2012. Detalhe: em 1942, os cacimbões ficavam distante da maré alta. Hoje, estão danificados pelas águas salgadas, ventanias e pessoas ignorantes que fazem buracos na alvenaria.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Fotos da família do casarão 453.

Otília e Cleomedes, dona Natividade, Miguel Archangelo, Jeruza, esposa de Antonio com a filha Ana Cecília e Margarida, na frente da entrada principal da casa, nos anos setenta.
Esta foto é de 1950 : dona Nati segura no colo a sua filha Fátima, tendo Antonio e Gonzaga nas laterais, Gracinha, Marta, Cecília, Maria José, Carmela, Margarida, Ana Maria e João Maria (na frente, à esquerda). Nos fundos: Cleóbulo, Cleando, Manoel Genésio Cortez Gomes, Miguel e Francisco de Assis.