quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Araponga

Esta bonita ave, a Araponga, é comparada com o trabalho dos agentes de informações governamentais. A ave emite sons metálicos e estridentes. E aí, qual a identificação com os agentes secretos? Dizem que a Araponga vê muito,e de longe. E que quando ataca, não perde a presa. A conferir. E o internauta, o que diz a respeito? Dê a sua opinião. Mande a sua mensagem para cortez.melo@interjato.com.br que será aproveitada após a filtragem anti-spam.
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No bairro do Tirol, em Natal, há aves da família dos Cotingídeos.

A Araponga canta como

um espião trabalha?

Luiz Gonzaga Cortez Gomes (*)


 

Observando o noticiário da imprensa nacional , os seus estrangeirismos, as suas copiações, os seus modismos e suas frescurites, além dos artigos e ensaios sérios, proveitosos, históricos e/ou culturais. Diante da série de escândalos em diversas esferas , nos últimos meses, o me chama atenção é o emprego da expressão "Araponga" para designar o agente público ou privado que se dedica a investigações policiais, a ações de espionagens legais e ilegais. Sobre esses agentes policiais e militares dos DOPS e DOI-CODI e similares, a imprensa alternativa, no final dos anos setenta do século passado, criou o apelido pejorativo de "dedo duro", objetivando menoscabar o trabalho desenvolvido pelos "agentes secretos" do regime. Com o fim do regime autoritário, a imprensa começou a tachar os espiões do governo (da ABIN, PF, polícias civis e militares de todo o Brasil, sem distinção) de "araponga". Bom, eu fiquei matutando: qual a similaridade da ave (a araponga é nosso ferreiro, o sabiá, segundo um especialista) com o trabalho do espião que, no meu entendimento, trabalha em silêncio, clandestina e anonimamente? A araponga é uma ave de canto estridente e metálico.

Você duvida? Então, leiamos o mestre Aurélio, na página 106 da 6ª edição do seu Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa (exe. s/d): "Araponga, s.f. (Bras.) Ave da família dos Cotingídeos (Chasmarhyneus nudicolis), também chamada ferreiro e ferrador, notável pelo som metálico do seu canto; (fig.) pessoa de voz estridente ou que fala gritando". Alguma dúvida, ainda? Como, então, fazer-se a comparação? Estou procurando a resposta. Procurei encontrá-la nos versos da música de Penas do Tiê, graças a ajuda de Eugênio Lima, quase doutor quase em música. "Vocês já viram lá na mata a cantoria da passarada quando vai anoitecer/ E já ouviram o canto triste da araponga anunciando que na terra vai chover.

Já experimentaram gabiroba bem madura, já viram as tardes quando vai anoitecer

E já sentiram das planícies orvalhadas o cheiro doce da frutinha muçambê...". A composição é de Keckel Tavares, foi gravada por Luís Gonzaga e Fagner (este está sendo processado pela família de Heckel por plágio). Não achei nenhuma analogia. Procurei em vários sítios da internet, nada. O leitor vai se deliciar com as referências à araponga. Há um sítio que informa sobre plumagem, hábitos, alimentação e cuidados com a araponga, sendo que um deles aconselha a criar a ave em cativeiro, pois" a plumagem é bonita e fica muita mansa". "Araponga é conhecida em todo o Brasil pelo seu grito alto e estridente. Fora de São Paulo, em outras regiões do país, ela é conhecida por Guiraponga, Ferreiro ou Ferrador, sendo que esses dois últimos nomes vêm do seu grito, que imita com perfeição o trabalho de um ferreiro, primeiramente com uma lima e a seguir com a batida estridente de um martelo sobre a bigorna. O nome araponga é indígena e vem de ara (ave) e ponga (soar)". No Brasil, há as espécimes procnias nudicolis, desde a Bahia ao Rio Grande do Sul; as procnias averano (Roraima e Nordeste), cujo habitat natural são as árvores (as arapongas não gostam de descer ao chão). Elas são bonitas: tem as asas pretas, peito branco, cabeça marrom e vários apêndices carnudos que "nascem" do seu pescoço como se fossem barba, de onde vem seu nome popular de "Araponga de Barbela". A terceira espécie é a procnias Alba, que habita o Amazonas na região do Rio Negro , mas pouco se sabe sobre ela. O potiguar pode procurar araponga nas poucas matas do litoral. Em Natal, o ecologista pode armar o seu "alçapão" no antigo Morro das Almas, hoje apelidado de Parque das Dunas. Coisa muito fácil de fazer. O natalense Alberto Lima de Souza, médico, parente meu, criador de passarinhos desde a infância, disse que na mata do Tirol podem ser encontradas ferreiros e sabiás, "aves da mesma família, da família dos Cotingídeos (Contingidae. É o Procnias nudicolis. È provável que tenha habitadoem tempois idos a nossa mata atlântica, enquanto existiam frutas de sua alimentação, Já os sabiás são aves mais delicadas nos hábitos e no canto mavioso. São da família dos Turbídeos (gênero Turdus, família Turdidae). Há uma outra ave da família Mimidae, Imitador), conhecido como sabiá da praia (Mimus saturninus). Este é encontrado facilmente nas nossas praias, gostando mesmo do convívio humano. Defronte a casa de Regina (irmã de Alberto) vislumbrei um que cantava como ninguém. Em Natal, nas matas do Tirol, habitam em profusão duas espécies de Turdus: o Turdus amaurocalinus ( sabiá de bico amarelo, sabiá poca) e o Turdus fumigatus (sabiá da mata), o sabiá que vovó chorava quando ouvia o canto. Na nossa casa em Tirol, havia um ipê roxo que era habitado por um sabiá da mata que cantava como nenhum. Era este que vovó Zefinha evocava e imitava o canto, talvez se lembrando de episódios da sua infância. O sabiá laranjeira (Turdus rufiventris) também existe no Rio Grande do Norte, em sítios e fazendas, habitando capoeiras e fazendo seus ninhos próximos das habitações humanas. Bem, meu caro Gonzaga: é o que lhe posso informar por enquanto. Um abraço grande e sempre ao seu dispor. Do primo que lhe quer bem. Alberto Lima".

Também consultei o professor e linguista Roberto de Souza Lima, irmão de Alberto, outro homem que, além de compositor, músico, cantor e intelectual, sabe história geral. À minha pergunta sobre espionagem e arapongagem, no Brasil, ele respondeu o seguinte: "Sabemos que na Europa, desde muitos anos, o FALCÃO foi utilizado para enviar mensagens,algumas até codificadas, para evitar o seu conhecimento, caso a ave caísse em mãos inimigas. Essas aves, posteriormente adestradas até para a espionagem. Com a organização das "Inteligências", muitos agentes, por analogia, passaram a receber codinomes tipo: Falcão Dourado, depois "Á guia Azul", etc. Por uma mera conjectura, acredito que ARAPONGA seja apenas uma versão tupiniquim para denominar os agentes espiões, uma vez que essa ave é tipicamente brasileira. Grande abraço. Roberto Lima".

Cabe ao leitor tirar suas deduções. O que tem a ver araponga com um espião armado, desarmado, com gravadores, grampos para escutas telefônicas, malas de 30 mil dólares para escutas ambientais, binóculos e lunetas de longo alcance, carros com placas frias e películas fumês, novos e turbinados? O que tem a ver uma ave que vive sobre árvores, em áreas próximas ao litoral, com ar puro e se alimenta de frutos nativos com agentes da segurança

Interna e externa, com fones nos ouvidos, ouvindo as conversas alheias, com ou sem autorização judicial, no interior de salas com ar-condicionado? Você sabe? Então, diga, escreva.

*Luiz Gonzaga Cortez Gomes

É jornalista e pesquisador.


 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Uma cachoeira no meio do mato

Uma cascata em pleno semi-árido do Seridó do Rio Grande do Norte, no município de Currais Novos, a 150 quilometros de Natal, que poderia ser transformada num bom ponto turístico. O problema é a falta de visão dos administradores daquele município que nunca souberam aproveitar o potencial turístico da região. A área é conhecida como "Cachoeira da Pedra Água", pertence à psicóloga Lenira Xavier, que ainda não teve tempo para pesquisar e elaborar um planejamento estratégico para um possível aproveitamento empresarial nas terras herdadas do seu falecido, pai José Xavier Gomes. "O local é de dificil acesso, numa serra, sem nenhum benefício", disse Lenira, que não quer divulgação sobre a lagoa de "Pedra Àgua", cuja cachoeira é formada apenas nos períodos chuvosos. Mesmo assim, é do conhecimento público que muita gente vai tomar banho naquela lagoa após o inverno. Lenira disse que vai pensar no que fazer, inclusive já sugeriram que o local fosse transformado num parque estadual de preservação ambiental. Eu sugeri que procurasse o Sebrae e a Emproturn, pois, na minha modesta opinião, se for esperar por apoio da Prefeitura Municipal de Currais Novos nada irá prá frente. Luiz Gonzaga Cortez, jornalista.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Cientista natalense

Este é o cientista de renome internacional Carlos Alberto Paz de Araújo, natalense da Cidade Alta, ex-aluno do Colégio Marista, detentor de mais de 300 patentes nos Estados Unidos Europa, Japão e China, um dos responsáveis pelos maiores investimentos na área de microeletrônica e informática (fabricação de chipes e cartões ferroelétricos) no Brasil (São Paulo e Rio Grande do Norte), em valores superiores a a 500 milhões de dólares. Na opinião de cienitstas brasileiros, Carlos Paz deveria ser indicado para o Prêmio Nobel.
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Rio Potengi

O velho bairro da Ribeira na década de 70 do século passado, em foto feita pelo mestre Gurgel, dos Escoteiros do RN e funcionário do Banco do Brasil, com o seu casario antigo e as palmeiras do Colégio Salesiano São José que foram arrancadas para dar espaço às quadras de esportes, a extinta Estação Rodoviária Presidente Kennedy, construída na administração de Djalma Maranhão.
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Hortêncio Nóbrega sugere cemitério em Candelária

Observando Candelária

05.02.2010

Platinum

O contrato leonino firmado entre a Platinum (academia de ginástica) e a diretor anterior do Conselho de Moradores de Candelária, em Natal/RN, está sendo denunciado judicialmente e o presidente do CONACAN, Victor Vale, compareceu à primeira audiência, na qual a advogada paulista da empresa de Diógenes e Ricardo Mesquita de Faria, não provaram que recolheram os famosos R$ 110 mil ao caixa da entidade, apesar de terem entregues os cheques a Ricardo Soares, ex-presidente do Conselho. O juiz mandou que o Unibanco apresentasse os extratos da conta do Conacan para ter a certeza de que o dinheiro não entrou na conta do Conacan. Se falava em 140 mil reais, mas agora, ao que parece, os representantes da Platinum não receberão a vultosa quantia de volta. Enquanto, isso Victor Vale fez uma auditoria e constatou que não existe documentos (balancetes, recibos, extratos bancários, etc ) das administraçôes passadas,nem o ex-contador do Conacan sabe onde está o" arquivo contábil".

Consultas

A prefeita Micarla de Souza, inteligente e experiente jornalista, bem que poderia iniciar 2010, após o carnaval, claro, com medidas que tragam bons resultados para a população. Antes, poderia reunir com os conselhos comunitários, associações e sindicatos, clube de serviços (maçonaria, Lions, Rotary, etc) e igrejas de todas as vertentes para ouvir as reclamações e reivindicações. Não perderá nada, caso organize a agenda.

Senado

Moradores de Candelária já discutem os dois nomes de candidatos que escolherão para o Senado. A tendência, segundo as primeiras sondagens informais nos bares, é que, mais uma vez, os nomes de José Agripino e Garibaldi Alves serão os mais votados, mas não será surpresa se der Vilma de Faria e Agripino Maia como os que ficaram na primeira posição. Vamos aguardar.

Rapidez

A equipe da PM que atuou na tarde de 5ª feira, 17.12.09, na rua Bento Gonçalves, após o furto de um aparelho celular de uma criança, merece aplausos. Rápida, silenciosa e eficiente, os dois PM, em viatura vinda do bairro de Lagoa Nova, sem ar condicionado, por volta de 13 horas, conseguiu prender o rapaz que agia em casas de jogos em computadores, em menos de 01 hora e levá-lo para a Delegacia de Felipe Camarão. Cinco dias depois o infrator continuava preso por ser reincidência.

Àrea verde

A praça abandonada ao lado da rua Marechal Rondon, ao lado do terreno onde funcionou o circo, está sendo alvo de sugestões. Uns querem que seja aproveitado para feiras de artesanato ou de produtos naturais, como a feira ecológica que funciona no Campus da UFRN. Para o morador Silmar Martins de Paiva, aquicultor, o bom seria uma área verde com parque infantil e um campo de futebol de verdade e não um buraco de areia. O terreno da Caern, onde está o presídio provisório de Candelária, também poderia ser uma horta comunitária para produção de gêneros alimentícios sem agrotóxicos. Paiva diz que o povo está consumindo com agrotóxicos produzidos em Campina Grande/PB e Floresta/PE. Haja veneno!

Calçadões

Já está nas metas da diretoria do Conacan a recuperação das calçadas públicas no entorno da Rua Manhã Parnasiana e outros logradouros. Um calçadão para a prática de caminhadas, ao lado de uma área verde, equipadas com bancos, é a reivindicação apresentada pelos moradores, tendo em vista que as velhas calçadas, construídas em 1976, estão em estados lastimáveis. Já houve casos de fraturas em idosos em alguns locais, por causa dos buracos, verdadeiras arapucas.

Cemitério

Hortêncio Nóbrega dá uma "singela" sugestão: "somente a transformação da área em cemitério público atrairá a atenção da Prefeitura para o local e dos moradores também". Segundo Hortêncio, com a medida radical, a Prefeitura dará uma destinação de alta necessidade, já que estão morrendo muitas pessoas, tornando o terreno dos fundos da Escola Gov. Walfredo Gurgel numa área de muita presença humana, de dia e de noite. Mas Aluizio Medeiros sugere que se acabe com os lixões, que a Prefeitura faça a limpeza das ruas de forma permanente, como é feita na Av. Prudente de Morais, diariamente.

Milicia

Outra sugestão de Hortêncio: uma Milicia popular. Objetivo: combater a violência e a criminalidade. As maiores vítimas são os comerciantes, os idosos, as mulheres e as crianças. Vamos ver se a idéia agrada às autoridades.

Iluminação

È precária em quase todo o bairro. E para completar o tráfego intenso de veículos provocou o surgimento de buracos e deslocamentos dos calçamentos. Há locais em que as pedras lançadas no meio da rua são causadoras de acidentes, estouros de pneus, etc. Os desmanches da pavimentação é notada em quase todo o bairro de Candelária.

Táxis

As duas "praças" de taxis só funcionam até às 18 horas, por motivos de segurança.Anoiteceu, os taxistas vão para a BR 101, ao lado da Agaé.

Luiz Gonzaga Cortez.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


 


 

A rebelião integralista de 1938

e seus reflexos no Estado (I)


 

Levante deteve Getúlio em casa

mas faltou o apoio do Exército


 

Texto de Luiz Gonzaga Cortez*


 

A rebelião de setores da Ação Integralista Brasileira-AIB contra o ditador Getúlio Vargas, em 11 de maio de 1938, no Rio de Janeiro, permanece esquecida pelos nossos políticos, historiadores e intelectuais. Os episódios de 23 a 27 de novembro de 1935, em Natal, Recife e Rio de Janeiro, são lembrados anualmente, pelos simpatizantes daquele movimento, inclusive pelos seus adversários. A insurreição não passou de uma tentativa de golpe para tirar Getúlio do poder e contou com a participação de dezenas de civis armados e oficiais do Exército, dentro os quais se destacaram o tenente Severo Fournier e o médico Belmiro Valverde. A rebelião ficou conhecida como a "intentona integralista", fracassou horas depois da recusa do general Gaspar Dutra, Ministro da Guerra, em apoiar o "putsch" dos camisas-verdes da AIB, organização fundada pelo escritor paulista Plinio Salgado, uma das figuras proeminentes da Semana de Arte Moderna de 1922.

Os integralistas mantiveram Getúlio detido num quarto do seu palácio durante quase 4 horas, segundo versões de historiadores, mas os líderes militares que tinham prometido apoio ao golpe, não atenderam aos apelos de reforços para derrubarem o ditador. Há versões de que o chefe Plinio Salgado não apoiou o golpe militar e se refugiou em São Paulo após não conter a sedição de seus liderados civis e militares da Marinha e do Exército.

Getúlio Vargas tornou-se ditador com o golpe de 10 de novembro de 1937, apesar de vir governando o país com amplos poderes desde outubro de 1930. Enganou seus aliados à direita e à esquerda para se perpetuar no poder, inclusive Plínio Salgado, a quem ofereceu o cargo de Ministro da Educação. Plinio tinha trabalhado duramente em 1937 para sair candidato à Presidência da República pela AIB, organização conservadora, anticomunista, nacionalista e cristã ( contou com apoio de quase toda a cúpula da Igreja Católica brasileira). José Américo de Almeida e Armando Sales de Oliveira, representantes da burguesia industrial paulista e do latifúndio nordestino também estiveram em campanha eleitoral em 37. Os integralistas fizeram um plebiscito nas suas fileiras e 800 mil camisas-verdes, incluindo os do RN, apoiaram o nome de Plínio para Presidente. Cem mil integralistas desfilaram no Rio de Janeiro oferecendo apoio a Getúlio Vargas. Foram ao Palácio do Catete, no inicio de maio de 1937, ocasião em que Plínio Salgado, Gustavo Barroso e outros líderes integralistas comunicaram ao ditador o resultado do plebiscito.

Maquiavélico, Getúlio incentivou os integralistas e os setores liberais para prosseguirem suas campanhas para as eleições previstas para o ano seguinte, conforme preceituava a Constituição em vigor. Astuto e hábil articulador político, Getúlio executou o golpe em silêncio, com apoio das Forças Armadas, principalmente do general Góis Monteiro, chefe do Estado Maior do Exército. O menor civil do golpe de 10 de novembro de 1937 foi o intelectual mineiro Francisco Campos, um dos criadores de uma organização de direita em Belo Horizonte/MG.

O GOLPE

Após a implantação do "Estado Novo" - autoritário e repressivo - , os adversários de Getúlio Vargas se articularam numa conspiração para derrubá-lo do poder. Empresários e políticos de São Paulo participavam da trama que culminaria com o golpe militar em janeiro ou março de 38. No entanto, a insurreição somente ocorreu na noite de 11 de maio de 1938 com o ataque ao Palácio do Catete, residência do ditador.

Um dos chefes do integralismo, Olbiano de Melo, no seu livro "A Marcha da Revolução Social no Brasil", a polícia política prendeu dezenas de integralistas no Rio, São Paulo e outros Estados, após fracassada invasão da Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, em março , comandada pelo dr. Jair Tavares e o tenente Loyola. Plínio refugiou-se em São Paulo, onde foi preso pela polícia política do regime, levado para a Fortaleza Santa Cruz, no Rio de Janeiro, de onde saiu para o exílio em Portugal. Somente retornaria em 1945. No exílio, escreveu uma das suas mais belas obras literárias, "A Vida de Jesus".

Conta Olbiano, que Plínio Salgado concordou com o golpe durante uma reunião secreta, realizada no Rio, que contou com a presença do Brigadeiro Newton Braga, mas que ele determinaria a data do levante golpe integralista. No entanto, em março o levante precipitou-se, após o fracasso de janeiro, com a tentativa de ocupação da rádio Mayrinck Veiga . "...viera em 11 de maio, com o ataque de Belmiro Valverde, chefiando um grupo de "camisas- verdes", ao Palácio Guanabara, já em desespero de causa, articulado com o general reformado Castro Júnior e com o grupo civil dos srs. Armando Sales de Oliveira, Júlio Mesquita Filho, Flores da Cunha e Otávio Mangabeira, tendo como agente de ligação o dr. José Paranhos do Rio Branco, e com os quais Plínio Salgado se unira para a insurreição geral de março".

Olbiano de Melo, que afirma nunca ter omitido sua opção pelo fascismo, então no auge na Europa e em crescimento no próprio Estados Unidos da América do Norte (Câmara Casucod escreveu um artigo sobre o crescimento do fascismo nos EUA), registra que ao médico Belmiro Valverde coube a tarefa de cercar o Palácio, "deter ali o Ditador e ainda os ministros militares em suas residências, sublevar parte da Marinha, até que o General Castro Júnior, secundado por outras altas patentes, comprometidas com o movimento, descesse com a Guarnição da Vila Militar para a cidade e se organizasse uma Junta Governativa que imediatamente promoveria o retorno da Nação aos quadros legais da Constituição de 1934. Valverde cumpriu integralmente a palavra empenhada. Teve em suas mãos por toda a madrugada do dia 11 de maio de 1938 o Sr. Getúlio Vargas completamente isolado do mundo, cercou as residências dos ministros militares, inclusive o apartamento do General Góis Monteiro, Chefe do Estado-Maior do Exército e levantou parte da guarnição da Escola Naval e do Arsenal da Marinha. Mas ao invés de terem a cobertura da Vila Militar, os rapazes que se assenhorearam do Palácio Guanabara, comandados pelo Tenente Severo Fournier, foram cercados e dominados ao raiar do dia por um contingente de tropas do Forte São João, dirigidas pessoalmente pelo General Gaspar Dutra, Ministro da Guerra. A reação continuou ainda pela manhã do lado da Marinha sob o comando do Tenente Halzzemann, que também foi dominado com os seus revoltosos, após ter sido gravemente ferido. Esta foi uma das atitudes mais varonis do movimento do Sigma que, de um modo geral, em todos os seus quadros pelos país afora sentia-se vilipendiado pelos senhores da situação. Valeu como um protesto, embora tenha custado a vida de vários "camisas-verdes", após serem presos, nos jardins do Palácio" ( Olbiano, op. cit., p.128, Edição O Cruzeiro, 1958).

Foram mortos friamente, após presos, por Lutero Vargas, irmão do ditador, os seguintes integralistas: Tenente Teófilo Otoni Jacould, Dionísio Pereira da Silva, Mário Salgueiro Viana, Waldemiro Petrone, José Rodrigues, Luis Candido, Manoel Gomes Vidal, Artur Pereira de Holanda e o cabo Juvêncio Henrique Pereira Dias. o tenente Fournier viria a falecer anos mais tarde vítima dos maus-tratos na prisão, no Rio. O chefe de polícia era o Capitão Felinto Muller, descendente de alemães, admirador de Hitler e responsável pela entrega da comunista alemã Olga Benário, mulher de Luiz Carlos Prestes, aos nazistas. O coronel Euclides Figueiredo, pai do falecido general e ex-Presidente João B. Figueiredo, participou da "intentona" integralista e foi obrigado a se exilar. ( tinha sido condenado a 4 anos e 4 meses de prisão).

As forças do governo não sofreram baixas, mas mais de 1.500 pessoas, integralistas, simpatizantes e adversários de Getúlio, foram presas em todo o país. Respaldado pelo decreto-lei 428, de 16 de maio de 1938, o regime iniciou violenta repressão e transformou os julgamento do Tribunal de Segurança Nacional em uma verdadeira "blitz". O comandante Fernando Cockrane, Ayrton Plaissant, Lauro Antunes e Oswaldo Belém, condenados a l ano, foram punidos com três anos e quatro meses de prisão. Valverde foi condenado a 8 anos de prisão na Ilha de Fernando de Noronha( que estava cheia de presos comunistas que participaram da intentona de 1935) , de onde enviou vasta correspondência para Carlos Gondim, um dos dirigentes da AIB no Rio Grande do Norte. Gondim era chefe do serviço secreto dos integralistas potiguares e colaborou com os americanos em Natal durante a segunda guerra. As cartas de Valverde chegavam por via aérea, graças a intervenção consul americano em Natal.

Em Natal, a repressão policial atingiu diversas pessoas que nada sabiam da conspiração integralista, como o comerciante católico Carlos Gondim, detido por 13 dias, na Chefatura de Polícia, na Ribeira. Os comerciantes e integralistas Manoel Genésio Cortez Gomes e Sérgio Severo de Albuquerque Maranhão, entre outros, foram interrogados, tiveram suas residências vasculhadas pela polícia estadual. Foram considerados subversivos de direita. Governava o Estado o interventor Rafael Fernandes Gurjão, que tinha sido eleito em 1934, por via indireta, e aceitou ficar no poder após o golpe de novembro de 1937. Câmara Cascudo, conhecido folclorista e figura proeminente da cultura potiguar, não escreveu nada sobre a repressão policial contra os seus companheiros da Ação Integralista Brasileira, organização da qual foi um dos fundadores e um dos seus líderes no Rio Grande do Norte.


 

*Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador.


 


 

A rebelião integralista de 1938

e seus reflexos no Estado do RN ( II)


 


 

Polícia suspeitava que os camisas verdes

procuravam armas para uma revolução


 

Texto e pesquisa de Luiz Gonzaga Cortez


 

A maioria dos integralistas potiguares eram católicos praticantes. A Ação Integralista Brasileira do RN nasceu dentro da Igreja Católica, em Natal, em 1933, com apoio ostensivo do comendador e professor Ulisses Celestino de Góis, considerado uma das reservas morais do Estado. O clero apoiava, mas não aparecia oficialmente nas reuniões e desfiles dos camisas-verdes. Entre 1933 e 1937, as organizações católicas de Natal, Congregação Mariana de Moços e Irmandade dos Passos do Sagrado Coração de Jesus, eram compostas por integralistas militantes, na sua maioria. Naquele tempo, em Natal, ser católico atuante era ser camisa verde. Não se sabe o número exato de pessoas que se filiaram ao integralismo no RN, em virtude da queima dos seus arquivos. Houve queimas de arquivos em 1935 e em 1937, episódios já relatados nos livros "Pequena História do Integralismo no RN" e "Câmara Cascudo, jornalista Integralista", publicados em Natal.

A documentação apreendida pela polícia política estadual nas casas dos dirigentes da AIB em Natal, encontrada no Arquivo Público do Estado e com cópias em nosso poder, não traz indícios de que os camisas verdes potiguares estavam preparados para um levante armado no Rio Grande do Norte. Os documentos da extinta Delegacia de Ordem Social e Investigações, depois denominada Delegacia de Ordem Política e Social-DOPS, chefiada pelo delegado João Medeiros Filho, desde 1936 vinha acompanhando as atividades dos comunistas ( "os extremistas do credo vermelho") e dos seguidores do escritor Plínio Salgado, que eram aliados do regime de Getúlio Vargas desde o nascimento do movimento nacionalista, em 1932, em São Paulo. Com o golpe de novembro de 1937, os integralistas passaram a ser considerados perigosos ao "Estado Novo", haja vista que a AIB reunia quase um milhão de filiados em todo o Brasil, com muitos adeptos na Marinha e no Exército. Após a decretação da ilegalidade da AIB, os camisas verdes passaram a conspiram contra a ditadura. Mas em Natal, os integralistas não estariam sabendo das articulações com vistas a derrubada de Vargas, segundo os documentos apreendidos pela polícia que, na sua maioria, se referem a apreensões de livros, cadernos, objetos, fardamentos e medalhas do movimento que tinha como lema "Deus , Pátria e Família". Há informes de policiais de que militares da Marinha estariam procurando armas para um levante. Poucos documentos sigilosos foram apreendidos, mas eles indicam que os investigadores vinham espionando as atividades dos integralistas em Natal. Se chegava um integralista no porto e se havia um camisa verde à espera, estava lá um policial civil para observar seus passos e relatar o que viu e ouviu para o delegado. Forasteiros, vendedores, viajantes em geral, eram visados. E se fosse estrangeiro o passageiro que desembarcasse de um hidro-avião da "Condor", empresa aérea alemã, os policiais levantavam as suas desconfianças peculiares. As provas: fichas, prontuários e relatórios dos policiais.

Em janeiro de 1938, a polícia local já estava de olho nos integralistas natalenses. Com o título "Notas" , há um informação do policial Manoel Maia Monteiro ( que eu conhecí em 1984, quando repórter do Diário de Natal), a ficha do DOPS de Ito Barroso Magno, um dos mais atuantes integralistas e que tornou-se oficial da Marinha, registra que "O comandante porintermédio dos seus filhos andam procurando armanento e munição de que dispõe a Fôrça Pública, com o objetivo de preparar elementos para apoiar um movimento revolucionário integralista que esperam rebentar em todo o país. Dizem contar com elementos dentro da Fôrça Pública, inclusive um capitão que assignou a acta de organização do citado movimento".

Em 4 de janeiro de 38, o outro agente informava que "O filho do cmt. Barroso de nome............perguntou ao Sgt. Orlando porque que já estavam perseguindo os seus amigos da Fôrça Pública citando o facto de ter sido transferido para a 5a Cia. em Caicó o soldado Antonio Ferreira da Silva, integralista nesta Capital, dentro da Força Publica, conferiu de apoiar a revolução integralista que espera rebentar no paiz. Um sgt. da Marinha encontrando o mesmo Sgt. Orlando lamentou a sahida daqui da Capital, do referido soldado, dizendo ainda que este ia lhes fazer grande falta". (Sem assinatura e com ortografia da época).

Também consta do prontuário 1455 de Ito Barroso, datado de 5 de março de 38, com vistos do comissário Francisco Meira Lima, mais uma "parte" do investigador Manoel Maia ao Delegado de Ordem Social e Investigações: "Levo ao conhecimento de V. Sa. , que hontem, na ocasião que desatracava o paquete "Itaquicé", do porto desta Capital, no qual seguia o integralista Ito Barroso Magno, filho do Cap. da Marinha, Barroso Magno, com destino ao Rio de Janeiro, ouviram vários "Anauês", saudação esta feita pelos integralistas José Vilar, Manoel Genésio e outros que não os conheço de nome".


 

Os subversivos integralistas

As pastas que estão no Arquivo Público do Estado, à disposição dos pesquisadores e historiadores, eram do Departamento da Segurança Pública - Delegacia de Ordem Social e Investigações e os seus relatórios são resultados de "diligências policiais". Foram fichados pela polícia e processados, julgados e absolvidos pelo Tribunal de Segurança Nacional, os comerciantes Manoel Genésio Cortez Gomes, Carlos Gondim, Sérgio Severo de Albuquerque Maranhão ( processo número 571, cancelamento da ficha e do prontuário em 28 de setembro de 1942. Severo foi chefe interino da AIB/RN em dezembro de 1935), Luiz Veiga, além dos intelectuais Otto de Brito Guerra (processo número 571, exclusão da denúncia em 150738), Manoel Rodrigues de Melo e Luis da Câmara Cascudo ( não achei a pasta do folclorista, mas o sociólogo Leonardo H. Barata localizou o processo em arquivo do Rio de janeiro).

Há vários autos de termos de declarações dos integralistas ouvidos pela polícia, nos quais os interrogados procuram não se aprofundar sobre a extensão do movimento integralista no Rio Grande do Norte. Por exemplo, o "Auto de Declarações" de Manoel Genésio Cortez Gomes, prestadas em 21 de março de 38( dois dias depois de uma "batida"na polícia na sua residência, rua Coronel Estevam, 1095, Alecrim, na sede da Ação Integralista, na praça 7 de setembro, número 3, Centro, na Casa Comercial de Carlos Gondim, na rua Dr. Barata, 200, Ribeira) contendo 37 linhas, é sucinto. Diz que "o declarante foi chefe provincial em Natal, do Núcleo Integralista, a partir de 18 de junho de 1937 até a extinção do mesmo Núcleo mais ou menos em dezembro de referido ano; que não é do conhecimento dele declarante ter sido retirado qualquer livro, papeis ou documentos da sede integralista de Natal, para a casa de qualquer socio, ou para qualquer parte, depois do extinto o mesmo Integralismo; que havia integralista entre funcionarios estaduaes, federaes e municipaes; que sabe que o investigador Joaquim Rodrigues, era integralista, não sabendo porem se o mesmo contribuhioa com a cota esportiva; que elle declarante ouviu falar que tinha um cabo da Policia que era Integralista, não sabendo porem o nome delle bem assim que havia tambem soldados integralistas, não sabendo tambem os nomes dos mesmos; que sempre tem elle declarante ido ao quartel da Policia, de oito em oito dias, ou de 15 em 15 dias, tratar de negocios a respeito dos onibus que, digo, de que elle declarante é um dos empresarios, sobre passagens de soldados para o sertão e vice-verso, e alli naquelle referido Quartel elle declarante se entende com o capitão ajudante, por nome Carvalho; que nada mais declarou. Assinam o documento o delegado dr. Emygdio Cardoso Sobrinho, o declarante e o escrivão Miguel Leandro Filho. Um dia depois, a 22, ele é novamente interrogado pelo mesmo delegado: "... perguntado ao depoente o destino dado ao livro onde deviam estar as inscripções dos cidadãos que ingressaram nas fileiras da Acção Integralista deste Estado: respondeu que, não existia livro do Nucleo Integralista de Natal, onde estivessem os nomes que entraram no Integralismo, digo, das pessôas que eram inscriptas no Integralismo, sendo o serviço de inscripção feito em fichas, uma assignada pelo candidato, da qual eram tiradas copias: que perguntado ainda se as fichas aprehendidas são verdadeiras, sendo copias das fichas assignadas pelos candidatos: perguntado ainda onde se encontram as fichas assignadas pelos candidatos ao Integralismo, respondeu que as fichas originaes assignadas pelos candidatos ao Integralismo se achavam em poder do socio José Villar Lemos, o qual declarou a elle respondente que as havia queimado após o Integralismo deixar de existir legalmente: perguntado com que fim José Villar Lemos queimou as ditas fichas, respondeu que José Villar lhe dissera que havia queimado ditas fichas originaes temendo que as mesmas viessem cahir em mãos dos inimigos, semilhantemente ao que fez em 1935 após a Revolução Communista. E como nada mais disse nem lhe foi perguntado, mandou a autoridade encerrar o presente auto de perguntas, que depois de lido e achado conforme, vai assignado pela mesma autoridade, depoente e por mim Miguel Leandro Filho, escrivão que o dactylographei".

A documentação existente no Arquivo Público se referem as diligências e interrogatórios registrados nas pastas e fichas da extinta DOPS de Natal e não às inúmeras convocações para depoimentos informais na antiga Chefatura de Polícia, que funcionava no prédio atualmente ocupado pelo ITEP, na rua Duque de Caxias, Ribeira.


 


 

*Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador