terça-feira, 12 de abril de 2011

O antigo prédio da Sorbonne.

No antigo prédio da Sorbonne funcionam cursos e seminários de várias universidades, como a de Paris 1, 3 ou 4, por exemplo, e Cursos de "Francês para Estrangeiros", destinados a estudantes provenientes de dezenas de países. Os números de Universidades  vão de Paris 1 a Paris 15. Essas Universidades se encontram em Paris e seus arredores. Paris 10, por exemplo, fica em Nanterre, Paris 8 e 13 se encontram em Saint-Denis e Villetaneuse. Cada Universidade tem mais de 20 mil estudantes. Existem, aproximadamente, 280 mil estudantes nas Universidades de Paris e arredores. A Universidade René Descartes-Paris 5 foi transferida para a rue de Saints pères no 6º arrondissement, perto da Igreja de Saint Germain de Prés. Por isso, a Sorbonne, continua sendo o emblema de uma das Universidades mais antiga da Europa. O lado do edifício da Sorbonne que fica na rue des Écoles é reservado aos grandes acontecimentos, como o de receber visitas de Chefes de Estado, de Escritores e de acontecimentos culturais importantes.
Tive a honra de visitar a Igreja e o Edifício da Sorbonne em 1998, juntamente com a minha irmã Ana Maria e Rejane, minha esposa.
Em tempo: hoje, 17.04, recebi novos esclarecimentos da professora Ana Maria Cortez. A Sorbonne, é um  edificio do Bairro Latino (Quartier Latin) propriedade da Prefeitura de Paris. Sorbonne é o nome tirado do sobrenome do teólogo do século XIII, Robert de Sorbon, o fundador do Colégio de Sorbonne, colégio dedicado à teologia . Robert definiu o seu projeto educacional: "Viver em boa sociedade, colegialmente, moralmente e estudiosamente". Esse termo de Sorbonne é também utilizado por metonímia para designar a antiga Universidade de Paris sob o antigo regime e de 1896 a 1971, assim como as antigas faculdades de Ciências e Letras de Parus. A fachada barroca é a da capela Santa Úrsula, acabada em 1642. Esta capela desconsagrada desde a lei de separação das Igrejas do Estado é agora utilizada para recepções ou exposições. A Assembleia Nacional, eleita em 1968, após a dissolução decidida pelo General De Gaulle, ataca logo à reforma universitária.(Continua na próxima publicação). 



Remédios caseiros são sucessos na universidade.

O artesão Laércio Severiano, 78, é mestre no fabrico de charopadas para quase todas as doenças dos homens e mulheres. Um xarope feito por ele, por exemplo, vale por mais de 100 vidrinhos de espectorantes industriais dos grande laboratórios internacionais. Ele vende suas garrafadas na Feira de Produtos Orgânicos da UFRN, em Potilândia, de 6 às 10 horas, aos sábados. Sr. Laércio, ao centro da foto feita por Paulo Palhano, aparece na foto dando uma aula sobre os medicamentos naturais para alguns clientes da feira ecológica. A próxima meta dele é vender sues remédios caseiros pela internet, através de um sistema que vai anunciar, brevemente, para clientes de Natal/RN.

domingo, 3 de abril de 2011

A pioneira na literatura infantil no RN.

 Para a professora Sônia Othon, da UFRN, Maria Natividade Cortez Gomes (foto, sem data) foi a pioneira na literatura e teatro infantil no Estado do Rio Grande do Norte. A declaração da professora Sônia Othon, autora de livro sobre a história do teatro em Natal, foi dada durante o último encontro de escritores e de genealogia potiguar, em 2010, na livraria Siciliano. Mais informações na matéria de Gilda Moura sobre as trovadoras Angelina de Macedo e de Nati Cortez (1914-1989). Foto escaneada e recuperada por Henriette Cortez.
Nati Cortez deixou 17 filhos, todos formados. Nasceu e viveu em Natal. Deixou depoimento escrito sobre a presença do aviador Antoine de Saint-Exupéry em Natal, por volta de 1927.
Maria Natividade Cortez Gomes no banco do jardim de sua residência na rua Felipe Camarão, 453, Cidade Alta/Natal/RN. Foto da década de 80.

Gilda Moura fala sobre duas trovadoras potiguares.

Hermenegilda Isabel de Moura, natural de Assu, funcionária pública aposentada, residente em Natal, fez apresentou os dados biográficos de Ana Angelina de Macedo e Maria Natividade Cortez Gomes na Academia de Trovas do Rio Grande do Norte. O documento que ela me forneceu tem o seguinte teor:
"Nos jardins da Academus, Platão criou uma Escola Filosófica que recebeu o nome de Academia.
Ao ingressar na Academia de Trovas do Rio Grande do Norte, no dia 18 de julho de 1994, a convite de Luiz Carvalho Rabelo, que me conhecia desde a minha infância e sendo as minhas trovas analisadas por José Revoredo Neto, ambos de saudosas memórias e incontestáveis valores intelectuais, senti-me como uma discípula que é recebida para ingressar nessa verdadeira Escola.
Tive a consciência que não significava aquele ato, apenas o recebimento de um galardão, mas antes de tudo a atribuição de uma responsabilidade.
Daquele dia em diante por onde andar o nome desta Academia meu nome também estará a ela vinculado porque para honrar nossa história não basta somente o amor às letras, são necessárias a dedicação, o estudo e a pesquisa.
Cumprindo o protocolo, devo falar sobre a Patrona da Cadeira nº 23 que tenho a honra de ocupar.
Ana Angelina de Amorim Macedo, filha de Luiz Gomes de Amorim e Ana Maria de Araújo Amorim, nasceu na cidade de Assú, no dia 22de janeiro de 1875. Casou-se no dia 21 de junho de 1896 aos 21 anos com João Francisco Soares de Macedo.
Colaborou com alguns periódicos e almanaques do Assú e é de sua autoria o seguinte poema:

Resignação

Bendita seja a mão que o golpe envia
Sobre a minha cabeça ao fim desta jornada
Na floresta da vida erma e sombria

Aqueles que disseram a volta ao mundo
A que triste  viveu somente um dia
Eu direi!  Enganai-vos! A alegria
Espera-me no além na pátria amada

Não criminem a morte que nos leva
A ver a estrela que no azul cintila
A luz que vem do céu não chamem trevas

Pouco a pouco a matéria me aniquila
Mas a alma imporal ao céu se eleva
que venha, pois, a morte , estou tranquila.

Faleceu no dia 05 de junho de 1906 aos 31 anos de idade.
Em obediência ao rito acadêmico, cabe-me focalizar a minha antecessora, Maria Natividade Cortez Gomes. Faço-o com satisfação, não por se tratar de mais uma trovadora, mas pela extraordinária mulher que foi, provando, assim, que não se nasce mulher e sim torna-se mulher.
Maria Natividade Cortez Gomes (Nati Cortez), nas ceu em Natal, no dia 08 de setembro de 1914, sendo filha de Manoel Marcolino da Silva e Maria Gomes da Silva. Iniciou seus estudos aos 05 anos no Externato "Sagrado Coração de Jesus", de propriedade da professora Maria Emília Andrade. Fez o curso primário no Grupo Escola Augusto Severo e secundário na Escola Vigário bartolomeu, mantida pela Loja Maçônica 21 de Março, onde foi aprovada com distinção.
Contraiu matriônio com o sr. Manoel Genésio Cortez Gomes, de quem teve 24 filhos , sendo 17 vivos, assim relacionados: Cleando, Cleóbulo, Cleomedes, Maria José, Miguel Archangelo, Carmela, Margarida, Ana Maria,  Francisco de Assis, Cecília, João Maria, Marta, Maria das Graças, Luiz Gonzaga, Antonio, Maria de Fátima e José de Anchieta.
Mulher de vocação literária extraordinária que teve o excelso dom de equilibrar a educação de tão numerosa família, com a criatividade e o destino às letras.
Autodidata, fez-se poetisa, trovadora, teatróloga, cientista, ufologista, pesquisadora, escritora e autora de diversos hinos sacros, cantados em várias igrejas do Brasil, uma vez que era católica fervorosa e devota de SantaTeresinha.
Pertenceu as seguintes associações:
Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores.
Academia de Trovas do Rio Grande do Norte.
Associação Norteriograndense de Astronomia.
Associação dos Poetas Populares.
Academia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil.
Academia de Figueiras - Portugal.
Foi detentora de vários diplomas sobre literatura nas cidades de Uruguaiana-RS e Anapólis-GO.

Publicou seu primeiro livro no dia 20 de janeiro de 1971 aos 57 anos,como título de "Diálogo das Estrelas ou o Mistério dos Discos Voadores", em estilo teatral.
No dia 23 de outubro de 1973, lançou no Teatro Alberto Maranhão, a peça infantil "Abelhinha Sonhadora" que foi publicada pelo Serviço Nacional de Teatro, tendo a mesma peça permanecido 05 meses em cartaz no Teatro Fortaleza-CE.
Lançou também o Teatro Espacial com duas peças infantis com os títulos de:
O Natal Espacial e a Guerra dos Planetas; Curumin Amazônico (peça),publicada em Lobito, Angola, obtendo grande sucesso na região amazônica como também na Bolívia.
Em 1976, publicou em literatura de cordel "O Mistério dos Discos Voadores", que foi rapidamente esgotado.
Participou de várias coletâneas de Aparício Fernandes. A peça "A Guera dos Planetas" foi encenada pela primeira vez, na Universidade do Colorado/Estados Unidos, no dia 18 de fevereiro de 1977, ´pelo grupo "Tupi", sob a direção de Teresinha Alves Pereira e num festival de teatro da mesma universidade. Em 1979, participou da coletânea "O Livro da Agebiana", de Cândida Galeno/CE, tornando-se agebiana.
Escreveu a peça infantil "Maribondo Amoroso", que foi editada pela Kageb, Grécia. Nati deixou vários inéditos como: Natal do meu tempo de menina".
A pétala de Rosa (novela religiosa).
História do Brasil (em versos).
Eles estão chegando (ufologia).
Terrestres x Selenitas e Marcianaos.
O Alto da Virgem.
Natal em Natal.
A piabinha encantada (baseado em conto de Maria Eugênia Maceira Montenegro).
Não tenho tempo, meu filho (peça educativa) , encenada no Colégio Estadual Sebastião Fernandes.
Recebeu inúmeras homenagens e troféus, sendo sua última homenagem promovida pelo Movimento Poético Nacional, na Biblioteca Viriato Correia, na pessoa do presidente dr. Silva Barreto.
Faleceu no dia 02 de maio de 1989 aos 75 anos de idade, na sua residência, na rua Felipe Camarão, 453, Cidade Alta, em Natal/RN.
Analisando o universo temático e criacional que fundamentaram os sentimentos de Nati Cortez e a pluralidade das suas criações, nos atestam que nascer biologicamente perfeito é um privilégio, mas viver sem fazer da vida uma obra de arte é negar essa perfeição.
Fontes pesquisadas: familiares e amigo. Natal, Hermenegilda Isabel de Moura. (semdata).
Notas do editor: A maioria das primeiras obras de Nati Cortez foram editadas pelo Serviço Nacional de Teatro, na gestão de Felinto Rodrigues, e Instituto Nacional do Livro-INL, Departamento de Imprensa do Estado do Rio Grande do Norte. A guerra dos planetas foi encenada por um grupo de teatro da Universidade  Potiguar/UNP, no Teatro Alberto Maranhão, na década de 90 do século passado.
O texto de Gilda Moura, provavelmente, foi redigido antes de janeiro de 1993, ano em que faleceu José de Anchieta. Cleando, o mais velho de uma prole de 17, faleceu em setembro de 2008, em Fortaleza/CE.

sábado, 26 de março de 2011

Dr. Miranda na Academia de Letras Jurídicas.

O renomado jurista Carlos Roberto de Miranda Gomes, na manhã de ontem, 25, no auditório da Procuradoria Geral da Justiça do Estado, proferiu o elogio ao patrono da cadeira 14 da Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte, José Gomes da Costa, seu pai, que, se vivo estivesse, faria 100 anos em 2011. A sessão foi presidida pelo procurador e professor da UFRN, Jurandy Navarro, e contou com a presença do procurador geral Miguel Josino Neto, Adalberto Targino, procurador, aadvogado e escritor paraibano residente em Natal, poeta Jansen Leiros, Manoel de Medeiros Brito, da Liga de Ensino, Francisco de Assis Câmara e esposa Walquíria Felix, arquiteto Moacir Gomes da Costa e familiares, jornalista Ana Maria Cascudo Barreto, Enélio Petrovich, presidente do Instituto Histórico, advogado Eider Furtado, dentre outras autoridades e intelectuais. O acadêmico Carlos Roberto foi saudado pelo advogado criminalista Odúlio Botelho.
O elogio ao patrono é uma exigência estatutária e ocorreu ontem por causa do centenário do nascimento do desembargador José Gomes da Costa em 2011. Brevemente, publicaremos trechos do discurso do acadêmico Carlos Roberto.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nos tempos do integralismo.(II)


Cascudo não renegou o seu passado integralista.

Luiz Gonzaga Cortez

31/12/10

Diversos veículos de comunicação social do país, nos dois últimos anos, principalmente em 1999, em função do seu centenário do nascimento e do quarto centenário de Natal, publicaram reportagens, entrevistas e artigos diversos sobre o escritor natalense Luís da Câmara Cascudo, um dos monumentos da cultura norte-rio-grandense. E por ter sido uma figura de proa da inteligência da terra, Cascudo, que não era gênio, presunçoso, antipático nem vivia com o rei na barriga, como muitos intelectuais conterrâneos, foi uma figura ímpar, simples, modesto e digno. E dentro dessa dignidade, há um detalhe honestíssimo que não pode ser maculado por ninguém: ele jamais renegou a ideologia integralista.

Os intelectuais potiguares que participaram da Ação Integralista Brasileira-AIB ( a versão brasileira das exterioridades do fascismo,  fundada pelo jornalista Plínio Salgado, em 1932) e que tiveram atuações mais destacada foram Luís da Câmara Cascudo, Manuel Rodrigues de Melo, Otto de Brito Guerra, Antonio Soares de Araújo Filho, Edmundo de Melo Lima, Valdemar de Almeida, Hélio Galvão e José Augusto Rodrigues, entre outros. Nenhum deles renegou o seu passado integralista, ideologia que reunia cristianismo, nacionalismo, indianismo, respeito aos grupos étnicos e os direitos humanos, sob o lema de "Deus, Pátria e Família". Há quem assegure que esse lema surgiu numa loja maçônica do Rio de Janeiro, segundo o falecido desembargador Newton Pinto. Havia admiradores de Mussolini e Hitler nas fileiras da AIB em todo o país, entre 1932/1937, principalmente no sul. Gustavo Barroso, historiador cearense, era o principal líder da corrente anti-semita da AIB, o que motivou diversos desentendimentos com Plínio Salgado e gerou uma crise que quase levava ao rompimento total com o seu Chefe, em 1934. Plínio não admitia racismo. 


 

Mas Cascudo, que não teria sido anti-semita ( chegou a participar de cultos no Centro Israelita de Natal, na rua Felipe Camarão, Cidade Alta, mas uma professora do Departamento de História da Universidade Federal do RN detectou indícios de anti-semitismo numa obra de Cascudo) nem foi espião nazista, jamais negou que era um ex-integralista, jamais renegou a ideologia considerada eminentemente brasileira pelo sociólogo Gilberto Freyre e neo-fascista pelos comunistas e esquerdistas de vários matizes (à exceção da cúpula da Igreja Católica brasileira, que incentivou, e de muitos padres, que participaram do movimento), não se tem provas (um rumor, um boato ou uma soprada no ouvido de alguém sério) de que tenha tocado fogo nos livros, jornais, revistas, camisas, emblemas e dísticos integralistas. Foi a partir do final de 1998 que começaram a surgir declarações, atribuídas ao jornalista Fernando Luiz da Câmara Cascudo, filho do folclorista e escritor, de que Cascudo tinha renegado o integralismo e se arrependido de ter vestido camisa verde. Veja bem, somente doze anos depois da morte de Cascudo é que surgiram essas frágeis versões. Em vida, na época em que estavam vivos o dr. Otto Guerra, dr. Clóvis Travassos Sarinho, Manuel Rodrigues, Hélio Galvão e Manuel Genésio Cortez Gomes, quem se atreveu a dizer que Cascudo tinha queimado os documentos e livros integralistas? Ninguém.

Na verdade o que Cascudo abjurou (não confundir com renegou) foi a maçonaria. Nos anos 30/40, Cascudo foi forçado pela Igreja Católica a abjurar a maçonaria, pois caso contrário, não receberia a comenda da Ordem de São Gregório Magno, no grau de Cavaleiro, concedido pelo Vaticano. Informa o historiador Olavo de Medeiros Filho que o bispo de Natal, Dom Marcolino Dantas entregou as comendas a Ulisses Celestino de Góis, Hélio Mamede de Freitas Galvão, Otto de Brito Guerra e Luís da Câmara Cascudo, todos integralistas, na época, após assegurar-se que Cascudinho não era mais maçom. Outra figura conhecida na cidade, mas que não foi integralista, mas abjurou a maçonaria foi o tabelião Theodorico Guilherme, pai do notário José Maria Guilherme, autor do livro "José". Naquela época, ainda existiam ranços da briga da Igreja X Maçonaria ocorrida no século XIX. Em 1939, quando o Vaticano mantinha relações estreitíssimas com o "Duce" Benito Mussolini, Cascudo recebeu a sua mais importante comenda, a de cavaleiro da Coroa da Itália, proposta por Mussolini e aprovada e concedida por Sua Magestade Vittorio Emanuele III, "Per Grazia Di Dio e Per Volontá Della Nazzione". Mas o escritor José Melquíades de Macedo defendeu em fevereiro de 2000, a versão de que Cascudo abandonou a maçonaria, "por outras questões, talvez particulares". Mas em novembro de 2000, no bar de Lourival, o grande professor Melquíades disse que eu tinha razão ( ele se referia às minhas matérias, inclusive este artigo, publicadas nos jornais Diario de Natal e Tribuna do Norte), acrescentando que Theodorico Guilherme também tinha abjurado. O interessante ( não sei se por ironia da história ou desinformação) é que na entrada do prédio do antigo QG da Guarnição do Exército em Natal, a ID/7, onde hoje está o Memorial Câmara Cascudo, em 1988 foi afixada uma placa do Grande Oriente do Estado do Rio Grande do Norte – Federado ao Grande Oriente do Brasil, através da Loja Evolução Segunda (Natal/Rn) com a seguinte legenda: "Homenagem ao Mestre Maçon Luiz da Câmara Cascudo"- Iniciado em 03.04.1920 – Exaltado em 09.09.1921 , Natal, RN, 20 de agosto de 1988, Paulo Viana Nunes, Grão Mestre Estadual.

E mais: na década de 50, quase 20 anos após a extinção da AIB, quando os integralistas estavam reagrupados no Partido de Representação Popular-PRP, também criado por Plínio Salgado, Câmara Cascudo, apesar de afastado da militância política (não se filiou ao PRP), assinava os jornais integralistas Idade Nova e A Marcha. Nas comemorações realizadas em Natal, em outubro de 1957, pelo transcurso dos 25 anos do lançamento do Manifesto Integralista de Outubro de 1932, quando Plínio Salgado lançou as bases de sua ideologia, o escritor Luís da Câmara Cascudo foi um dos mais aplaudidos oradores da solenidade realizada na sede do PRP da capital potiguar. A solenidade foi realizada num prédio do popular bairro do Alecrim, sob o comando de Clóvis Sarinho e do comerciante Rubens Massud. Disse-me uma das testemunhas: "Cascudinho fez um dos discursos mais patrióticos e contagiantes daquela noite. A base do seu discurso foi o lema do integralismo, "Deus, Pátria e Família", que ele considerou atual e que deveria ser cultuado por todos os patriotas brasileiros. Em nenhum momento, Cascudo renegou o integralismo, ao contrário, ele, 25 anos depois do Manifesto de Outubro de 1932, fez a sua defesa radical, diante de centenas de pessoas". Duas testemunhas do caloroso discurso de Cascudo residem em Natal: o aposentado Pedro Dantas (já falecido) e o professor de Direito Cleóbulo Cortez Gomes. Pedro Dantas, administrador do Cemitério Morada da Paz, em Parnamirim/Rn, na manhã do dia 22.04.2000, confirmava: "Cascudo fez um brilhante discurso de improviso e reafirmou, bela e empolgadamente, que continuava integralista". O discurso foi realizado no Alecrim Clube.

Cascudo não gostava de críticas descabidas ao integralismo, principalmente de pessoas que não tinham lido nada sobre a ideologia de Plínio Salgado. "Jamais renegou os seus princípios e não negava a sua condição de ex-integralista", escreveu o falecido médico Clóvis T. Sarinho (Fatos, Episódios e Datas que a memória gravou, Editora Nordeste, 1991, Natal, páginas 183 e 184).

Na série de reportagens que publiquei no Diário de Natal, a partir de 01 de julho de 1984 ( A Pequena História do Integralismo no RN, mais tarde republicadas em livro editado pela Fundação José Augusto e Clima), cometi o deslize de escrever que o Dr. Otto Guerra tinha declarado que Cascudo tinha renegado o integralismo. O Dr. Otto mandou uma carta de desmentido, publicada na edição de O POTI de 08.07.1984, p.10, da qual extraio o seguinte trecho: "...Minha segunda retificação prende-se ao escritor Luís da Câmara Cascudo, antigo e dedicado "Chefe Provincial"do integralismo no Rio Grande do Norte, durante algum tempo. Nunca o ouvi renegar o seu passado integralista, nem tenho provas disso. Num dos seus livros – "Viajando o Sertão"- ele fala abertamente na sua filiação integralista. Note-se que esse livro foi reeditado faz pouco tempo e Cascudo não alterou ou retirou uma linha do que antes escrevera. Seria pois grave injustiça de minha parte atribuir ao meu velho amigo e mestre, a quem tanto devo na minha formação cultural, uma atitude que desconheço".

Eduardo Maffei, escritor paulista, antigo militante comunista, já falecido, esteve em minha residência em março de 1987 e disse-me que admirava muito Cascudo e um dos motivos que lhe causava mais admiração era que ele ainda tinha idéias integralistas (Maffei conheceu-o em Recife, em abril de 1940). O fato de documento do serviço secreto dos Estados Unidos da América, da época da Segunda Guerra, considerar Cascudo como simpatizante da Alemanha (até o Papa Pio XII foi acusado de omissão diante dos crimes do nazismo), não é dado suficiente para considerá-lo como neo-nazista ou germanófilo. A propósito, muitos integralistas do Rio de Janeiro, Natal, Recife e Fernando de Noronha, trabalharam como espiões dos serviços de informações dos americanos instalados no Brasil.

Câmara Cascudo foi um dos intelectuais expoentes da Ação Integralistas Brasileira. Escreveu artigos para as publicações integralistas A Ofensiva, Panorama e Anauê, entre outras, na década de 30, até a extinção da AIB, em novembro de 1937. Apesar de não ter mais de dois mil militantes, os integralistas potiguares conseguiram que Plínio Salgado, candidato à Presidência da República em 1955 pelo PRP obtivesse boa votação em Natal. Tal fato viria influenciar o candidato a governador Aluizio Alves, em 1960, a adotar a camisa verde como símbolo principal da sua memorável e vitoriosa campanha eleitoral. Alguns desses artigos estão reunidos no livro "Câmara Cascudo, jornalista integralista", publicado pelo Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFRN que, segundo o escritor Itamar de Souza, é obra indispensável para se conhecer o lado político de Luiz da Câmara Cascudo.

Observações: artigo revisado após as correções lembradas pelo escritor Sérgio Vasconcelos, em 04.12.2010.

Nos tempos do integralismo.


Cascudo e as músicas populares
Brasileiras.

 

 
Pesquisa de Luiz Gonzaga Cortez, jornalista.

 

 
O potiguar Luiz da Câmara Cascudo, cujo edifício folclórico-literário que construiu na aldeia potengina é de domínio universal, compulsando livros, fuçando bibliotecas e realizando algumas pesquisas de campo, nos anos que a sua juventude permitiu, não só foi comentarista de assuntos políticos nacionais e internacionais quando integrava a Ação Integralista Brasileira, movimento nacionalista criado pelo escritor paulista Plínio Salgado, em 1932 para se contrapor ao avanço do comunismo. Plínio foi um dos principais mentores da Semana de Arte Moderna, em 1922. Para os que não conhecem a nossa História, é bom lembrar que o movimento fascista internacional influenciou ou gerou diversos movimentos nacionais, de direita, revolucionários-nacionalistas e cristãos, apoiado pelos governos e regimes burgueses e capitalistas. No Brasil, o jornalista e escritor Plínio Salgado, católico praticante, após ler Marx e Lenine, e observar o avanço do comunismo, criou a AIB, espelhado no regime fascista de Mussolini, na Itália, que estava abençoado pelo Vaticano. O comunismo deu o primeiro passo no totalitarismo, em 1917, na implantação do regime comunista na Rússia, cujos ideais se espalharam pelo mundo. Pouco tempo depois, em 1926, Mussolini instalou o "fascio" em Roma. Aí, meus amigos, surgiu o totalitarismo de direita. Nesse contexto, Cascudo, católico, ex-monarquista, vestiu a camisa-verde dos integralistas, todos abençoados por Dom Marcolino Dantas e o professor Ulisses de Góis.Além de pesquisador, foi comentarista do primeiro time do jornal A Ofensiva, porta-voz da Ação Integralista Brasileira-AIB (1932-1937), que era editado no Rio de Janeiro. Nas minhas pesquisas sobre esse intelectual conterrâneo, encontrei um artigo de Cascudo sobre a música sertaneja, publicado em 1934, no Rio, e que não era do conhecimento dos pesquisadores da obra cascudiana, salvo engano. Leiam.

 

 
Música Sertaneja

 
Luiz da Câmara Cascudo

 
Música sertaneja, no sentido expresso do termo, nunca existiu. Para dançar dançam o que se dança no litoral. Valsas, polcas, schottichs, quadrilhas, tangos, agora maxixes, fox, rags e até rancheras, que adaptaram às corridinhas da saudosa polca-pulada. Para a sociedade rica, abastada ou mediana, não há maior desdouro que falar em sambas. Sambas não são as danças mas o próprio baile, a reunião festiva. Samba é de gentinha, dizem. O samba primitivo era uma simples dança de roda, herança do índio, em suas danças coletivas, mas sem mulheres. O português colocou o ponto, a parada com a saudação convidando para sair e também trouxe o elemento feminino para o meio. O negro colaborou com a umbigada. Samba vem de semba, que quer dizem umbigo.
A impressão geral da musica sertaneja só se pode ter ouvindo cantadores. A improvisação nos bailes é diminuta e as vitrolas acabaram matando, numa percentagem séria, a facilidade criadora do sertanejo com temas musicais. O que se nota depressa é a acomodação da melodia temática às exigências do ritmo sertanejo, ao compasso ad-libitum, com que estão habituados a fugir da própria quadratura melódica.
Mário de Andrade ("Ensaio sobre a Música Brasileira", págs. 12, 14, etc, "Comp. de Hist. da Musica", pág. 177, etc.) salientou esta coadunação libertadora . Mas distinguiu que se dava sentido melódico, caindo num movimento oratório que ia, reconhece ele, libertando-se da quadratura melódica e até do compasso. Mario registrou brilhantemente este aspecto que, para mim, é uma característica:
...esses processos de ritmica oratória, desprovida de valores de tempo musical contrastavam com a música portuguesa afeiçoada ao mensuralismo tradicional europeu. ... e a gente pode mesmo afirmar que uma ritmica mais livre, sem medição isolada musical era mais da nossa tendência, como provam tantos documentos já perfeitamente brasileiros. Muitos dos cocos, desafios, martelos, toadas, embora se sujeitando à quadratura melódica, funcionam como verdadeiros recitativos.
O Desafio não é espécie musical. É um gênero. Tem várias partes, como uma suíte, diferindo de ritmos e de tipos melódicos. Começa pela colcheia, passa à carretilha, isto é, do setissilabo para as sextilhas e atinge ao martelo, reminiscência perfeitamente clássica que o sertanejo não inventou mas recebeu dos portugueses. O martelo, com rimas alternadas, vai desde seis a dez versos em alexandrinos. O desenho melódico obrigatoriamente se modifica e, às vezes, inteiramente. O instrumento de acompanhamento, no desafio é a viola apenas; jamais solam, mas seguem em acordes menores, o recitativo puro da chamada cantoria.
Um Cantador famoso não se serve da viola senão nos intervalos das frases recitadas. Termina o canto numa fermata ou num ralentando, ambos guturais, acrescidos pelo processo de nasalação que é tão comum que melhor se dirá natural. A viola é de pinho, com seis cordas-duplas de aço, afinada por quartas, com dez e doze trastos no braço.
A preferência do cantador sertanejo, e da maioria absoluta das modinhas e cantos populares é para os tons menores, dó, ré, lá.
Os temas são deliciosamente simples. A maior influência portuguesa ainda é notada nas rodas infantis. O negro e o índio são os responsáveis pelo ritmo profundo, a obstinação rítmica que, sendo libertada pela expansão dos recitativos, nem por isso diminui de intensidade e segurança. Mas o negro, todos sabem, é mais escravo do ritmo. Veio da percussão.
O ritmo, que Mario de Andrade encontrou como a expressão mais positiva no Brasil, a síncope de sime-mínima entre colcheias no primeiro tempo de dois-por-quatro, leva para a constância da nossa melódica popular, o movimento descendente de sons rebatidos, igualmente notado pelo erudito professor do Conservatório de São Paulo.
O desenho simples não exclue a pureza, a sobriedade incrivelmente melódica, inesquecível e linda. Certas linhas são verdadeiras obras primas de naturalidade, de doçura, a um tempo meiga e triste. Nenhum traço tipicamente sertanejo em assunto musical e alegre. Tem um abrandamento, um trabalho preliminar de melancolia, para ficar ao gosto de todos. A porção maior das modinhas é em menor. Os melhores sambas de emboladas são menores. No auto popular do Bumba-Meu-Boi os tons menores são dominantes. Mario de Andrade teve a felicidade de reparar que substituímos a franqueza impositiva do português pela delicadeza mais mole e familiar. No linguajar diário dizemos mi-dê, vá-se imbóra por dê-me e vai-te embora.Assim em música o sertanejo troca a tônica presente pela mediante tonal, dando um ambiente inenarrável de malinconia.
Vivas, arrebatadas, impulsivas, folionas, o sertão só conhece as rondas das crianças.Os brinquedos-de-rodas, cirandas, ponte-da-liança, a moda-da-carrasquinha, bom-barquinho são todos em tons maiores,estimuladores de movimento e de vida. Parece, por uma ironia sutil, que desejamos dar às crianças um ambiente de despreocupação e de vivacidade irreesponsável. Homens, só saberão cantar em tons merencórios.
Daí um cantador sertanejo afirmar que: a princípio são fulôres

A choradêra é no fim...

 
Transcrito do jornal porta-voz da Ação Integralista Brasileira, Rio de Janeiro, fundado por Plínio Salgado, A Ofensiva, de 05 de julho de 1934, p.8. Reescrito em 31.12.2010.